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Uma História de Amor em Cascais | Mulheres de Prazer
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Uma História de Amor em Cascais

Uma História de Amor em Cascais

Uma História de Amor em Cascais

PARTE 1 – O Encontro à Beira-Mar

O final da tarde pintava o céu de tons dourados sobre Cascais.

As ondas quebravam suavemente junto às rochas da baía, enquanto o passeio marítimo se enchia de pessoas que caminhavam sem pressa, aproveitando o aroma salgado do Atlântico e a luz quente que fazia brilhar as fachadas elegantes da vila.

Miguel chegou a Cascais numa sexta-feira de setembro.

Era empresário no setor hoteleiro e, depois de meses de trabalho intenso, decidiu conceder-se um fim de semana longe das reuniões e das constantes chamadas telefónicas.

Hospedou-se num pequeno hotel boutique junto à marina.

Depois de deixar a mala no quarto, saiu para caminhar.

Não tinha planos.

Apenas queria ouvir o mar.

Percorreu lentamente a marginal até chegar à marina, onde pequenos veleiros balançavam suavemente ao sabor da maré.

Foi então que reparou nela.

Sentada na esplanada de um café voltado para o oceano, uma mulher escrevia num caderno de capa azul.

Usava um elegante vestido branco, um chapéu de aba larga e óculos escuros pousados sobre a mesa.

Ao lado encontrava-se uma chávena de café quase vazia.

O vento fez voar algumas folhas do caderno.

Sem pensar, Miguel correu para as apanhar antes que fossem levadas em direção ao mar.

Ela levantou-se imediatamente.

— Ainda bem que estavas perto.

Sorriu enquanto recebia as folhas.

— Obrigada.

Miguel devolveu-lhas cuidadosamente.

— Pareciam importantes.

Ela olhou para o caderno durante alguns segundos.

— São apenas pensamentos.

Mas alguns deles levaram anos a ganhar coragem para serem escritos.

Apresentaram-se.

Ela chamava-se Beatriz.

Era escritora e passava frequentemente alguns dias em Cascais sempre que precisava de inspiração para um novo romance.

Miguel perguntou:

— E encontraste essa inspiração?

Beatriz olhou para o mar.

— Ainda não.

Mas às vezes basta um encontro inesperado para mudar completamente uma história.

Continuaram a conversar.

Descobriram que ambos gostavam de viajar, de literatura, de arquitetura e de cidades onde fosse possível caminhar durante horas sem destino.

Ao cair da tarde decidiram percorrer juntos a baía.

Passaram pela praia, pela marina e seguiram até à Boca do Inferno.

As ondas chocavam contra as falésias, criando um espetáculo impressionante.

Beatriz permaneceu alguns instantes a observar o oceano.

— Sabes porque gosto tanto deste lugar?

Miguel abanou a cabeça.

— Porque lembra que até a força do mar consegue criar beleza.

Ele sorriu.

— Nunca ninguém me tinha descrito a Boca do Inferno dessa forma.

Ela respondeu:

— Acho que todas as pessoas carregam tempestades.

O importante é aquilo que conseguem construir depois delas.

As palavras ficaram gravadas na memória de Miguel.

Enquanto regressavam ao centro histórico, as luzes das ruas começavam lentamente a acender-se.

Pararam numa pequena esplanada junto ao mar.

Conversaram durante horas.

Falaram das suas famílias.

Dos sonhos que ainda queriam concretizar.

Das oportunidades perdidas.

E das segundas oportunidades que a vida, por vezes, oferece sem aviso.

Quando chegou o momento da despedida, Beatriz retirou um pequeno marcador de livro do caderno.

Escreveu uma frase e entregou-lho.

"Há lugares que nos recebem. E há pessoas que nos fazem querer ficar."

Miguel guardou cuidadosamente o marcador.

Enquanto a observava afastar-se pelas ruas iluminadas de Cascais, teve a sensação de que aquele fim de semana deixara de ser apenas uma pausa no trabalho.

Sem saber exatamente porquê, sentia que a verdadeira viagem estava apenas a começar.

Uma História de Amor em Cascais

PARTE 2 – O Charme dos Pequenos Instantes

Na manhã seguinte, Miguel acordou cedo.

Abriu a varanda do quarto e deixou entrar o som das ondas que chegavam tranquilamente à baía de Cascais. O céu apresentava um azul intenso e os primeiros raios de sol iluminavam os veleiros ancorados na marina.

Sobre a mesa encontrava-se o pequeno marcador de livro que Beatriz lhe entregara na noite anterior.

Leu novamente a frase.

"Há lugares que nos recebem. E há pessoas que nos fazem querer ficar."

Sorriu sem perceber.

Há muito tempo que uma simples frase não permanecia tanto tempo nos seus pensamentos.

Poucos minutos depois recebeu uma mensagem.

"Se ainda estiveres disposto a caminhar sem destino, encontro-te junto ao Farol de Santa Marta."

Miguel respondeu apenas:

"Daqui a quinze minutos."

Quando chegou ao Farol de Santa Marta, Beatriz já observava o oceano.

Vestia um elegante vestido azul-claro e um casaco branco que se movia suavemente com a brisa.

Ao vê-lo aproximar-se, sorriu.

— Sabia que vinhas.

Miguel respondeu entre risos.

— Acho que já não conseguiria dizer que não a um passeio em Cascais.

Começaram a caminhar lentamente junto ao mar.

Passaram por pequenas praias escondidas, jardins bem cuidados e antigas casas senhoriais voltadas para o Atlântico.

Beatriz conhecia cada recanto da vila.

Contava pequenas histórias sobre edifícios antigos, artistas que ali viveram e escritores que encontraram inspiração naquele cenário.

Miguel escutava atentamente.

Mais do que os lugares, fascinava-o a forma como ela contava cada história.

Ao chegarem a um pequeno miradouro, sentaram-se num banco de pedra.

Durante alguns minutos observaram apenas o movimento das ondas.

Foi Beatriz quem interrompeu o silêncio.

— Sabes qual é o verdadeiro luxo?

Miguel sorriu.

— Diz-me.

— Poder desligar o mundo durante algumas horas e estar verdadeiramente presente.

Ele olhou para ela.

— Acho que já me esquecia de como isso era possível.

Ela respondeu serenamente.

— A vida não acontece apenas nos grandes momentos.

Acontece nestas pequenas conversas.

Nestes passeios.

Nestes silêncios.

Continuaram o percurso até ao centro histórico.

Entraram numa pequena livraria junto à praça.

Enquanto Miguel observava alguns livros antigos, Beatriz aproximou-se da secção de poesia.

Retirou um volume da estante e abriu-o aleatoriamente.

Leu baixinho alguns versos.

Depois fechou o livro.

— Há palavras que parecem escrever-se sozinhas quando encontramos a pessoa certa para as ouvir.

Miguel sorriu.

— E há pessoas que conseguem transformar uma simples manhã numa recordação para a vida inteira.

Beatriz baixou ligeiramente os olhos.

Não respondeu.

Mas o sorriso dizia tudo.

Ao início da tarde almoçaram numa pequena esplanada com vista para a marina.

Conversaram durante horas.

Falaram das escolhas que fizeram.

Das oportunidades que perderam.

Dos sonhos que ainda guardavam.

E descobriram que ambos tinham aprendido, da forma mais difícil, que o tempo é sempre o bem mais precioso.

Quando o almoço terminou, decidiram caminhar pela praia.

Os pés afundavam-se lentamente na areia.

O mar aproximava-se delicadamente da margem.

Sem perceberem como, as mãos encontraram-se naturalmente.

Nenhum dos dois recuou.

Continuaram a caminhar lado a lado.

Ao final da tarde regressaram à Boca do Inferno.

O pôr do sol começava lentamente a colorir o horizonte.

As falésias ganhavam tons dourados.

O mar parecia mais calmo.

Beatriz respirou profundamente.

— Sempre volto aqui quando preciso de recordar que a beleza também nasce da força.

Miguel aproximou-se um pouco.

— E eu acho que volto porque encontrei alguém que tornou este lugar ainda mais especial.

Ela levantou os olhos.

Durante alguns segundos permaneceram apenas a olhar um para o outro.

O vento fazia mover suavemente os cabelos de Beatriz.

O oceano parecia desaparecer à sua volta.

Ela sorriu.

Um sorriso tranquilo.

Sincero.

Daqueles que não precisam de palavras.

— Amanhã regressas a Lisboa?

Miguel confirmou.

— Sim... ao final da tarde.

Beatriz respirou lentamente.

— Então amanhã teremos apenas mais um dia.

Miguel apertou delicadamente a mão dela.

— Às vezes... um único dia é suficiente para mudar uma vida inteira.

Enquanto o sol desaparecia lentamente no horizonte, ambos compreenderam que aquela viagem deixara de ser apenas um fim de semana em Cascais.

Sem que nenhum dos dois tivesse planeado, estava a transformar-se no início da mais bonita história que alguma vez viveriam.

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PARTE 3 – O Amor Encontrou o Seu Lugar

O último dia amanheceu com um céu limpo sobre Cascais.

Miguel levantou-se cedo e abriu a janela do quarto. O aroma do mar entrou imediatamente, acompanhado pelo som das gaivotas e pelo movimento tranquilo da marina.

Sabia que, ao final da tarde, regressaria a Lisboa.

Mas, pela primeira vez em muitos anos, não tinha vontade de partir.

Sobre a mesa permanecia o marcador de livro oferecido por Beatriz.

Leu novamente a frase.

"Há lugares que nos recebem. E há pessoas que nos fazem querer ficar."

Sorriu.

Agora compreendia completamente aquelas palavras.

Pouco depois recebeu uma mensagem.

"Encontra-me na Praia da Rainha. Ainda nos falta viver o último capítulo desta viagem."

Miguel saiu imediatamente.

Quando chegou à Praia da Rainha, Beatriz caminhava lentamente junto ao mar.

Vestia um elegante vestido bege que ondulava suavemente com a brisa.

Ao vê-lo aproximar-se, sorriu com a mesma serenidade que o conquistara desde o primeiro encontro.

— Bom dia.

— Acho que este vai ser um dia difícil.

Ela sorriu.

— Porque vais embora?

Miguel confirmou.

— Sim.

Mas tenho a sensação de que uma parte de mim vai ficar aqui.

Começaram a caminhar pela areia molhada.

As ondas aproximavam-se lentamente dos seus pés.

Falavam pouco.

Já não precisavam de preencher todos os silêncios.

A companhia um do outro bastava.

Depois de algum tempo chegaram ao paredão.

Sentaram-se voltados para o oceano.

Beatriz observava o horizonte.

— Sabes...

Sempre achei que o mar ensina uma lição importante.

Miguel olhou para ela.

— Qual?

— Nunca tenta prender ninguém.

Recebe quem chega.

Despede-se de quem parte.

E continua sempre à espera de um novo reencontro.

Miguel sorriu.

— Talvez o amor verdadeiro seja exatamente assim.

Ela virou-se lentamente para ele.

Os seus olhares encontraram-se mais uma vez.

Agora sem qualquer receio.

Sem qualquer dúvida.

Apenas com a tranquilidade de quem sabe que encontrou alguém especial.

Ao início da tarde almoçaram pela última vez juntos numa pequena esplanada junto à baía.

Recordaram os momentos vividos durante aqueles dias.

A livraria.

A Boca do Inferno.

O Farol de Santa Marta.

Os longos passeios junto ao mar.

Cada lugar guardava agora uma memória.

Quando terminaram, Beatriz retirou cuidadosamente um pequeno envelope da mala.

Entregou-lho.

— Só o abras quando chegares a casa.

Miguel guardou-o com cuidado.

Chegara finalmente o momento da despedida.

Dirigiram-se juntos até à estação.

Antes de entrar no comboio, Miguel respirou profundamente.

— Posso fazer-te uma pergunta?

Ela sorriu.

— Claro.

— Queres que Cascais seja apenas a cidade onde nos conhecemos...

...ou o lugar para onde voltaremos sempre?

Beatriz aproximou-se.

Segurou delicadamente as mãos dele.

— Quero que seja o lugar onde começou a nossa história.

Abraçaram-se demoradamente.

Nenhum dos dois pronunciou a palavra "adeus".

Porque ambos sabiam que aquela despedida seria apenas temporária.

Quando Miguel chegou a Lisboa, abriu finalmente o envelope.

No interior encontrou uma fotografia.

Era uma imagem da praia ao pôr do sol.

No verso, Beatriz escrevera:

"Existem viagens que terminam quando regressamos a casa.

Mas existem outras que apenas começam.

Se um dia sentires saudades de Cascais... lembra-te de que o meu coração também ficou à tua espera."

Miguel sorriu emocionado.

Pegou imediatamente no telemóvel.

Escreveu apenas uma mensagem.

"Quando posso voltar?"

A resposta chegou poucos segundos depois.

"Sempre que o teu coração encontrar novamente o caminho até ao mar."

Os meses passaram.

As viagens tornaram-se frequentes.

Ora era Miguel quem seguia até Cascais.

Ora era Beatriz quem o visitava em Lisboa.

Descobriram novos restaurantes, novas praias e novos lugares, mas havia um ritual que nunca deixaram de cumprir.

Sempre que regressavam a Cascais, caminhavam juntos até à Boca do Inferno ao final da tarde.

Ali recordavam o primeiro encontro, os primeiros sorrisos e a primeira certeza de que tinham encontrado algo raro.

Um ano depois, exatamente no mesmo local onde tudo começara, Miguel surpreendeu Beatriz.

Retirou uma pequena caixa de veludo do bolso.

Olhou-a nos olhos.

Sorriu.

— Vim a Cascais à procura de descanso.

Mas encontrei a mulher com quem quero partilhar todos os dias da minha vida.

Queres casar comigo?

As lágrimas iluminaram o rosto de Beatriz.

Sem hesitar, respondeu:

— Sim.

Naquele instante, o sol desaparecia lentamente sobre o Atlântico.

As ondas continuavam o seu movimento eterno.

E Cascais guardava mais uma história entre o mar, as falésias e as ruas cheias de encanto.

Porque há cidades que visitamos apenas uma vez.

E há outras que passam a fazer parte da nossa vida para sempre.

Cascais tornou-se esse lugar.

Não apenas pela sua beleza.

Mas porque foi ali que dois corações descobriram que o verdadeiro amor nasce quando duas pessoas escolhem caminhar lado a lado, todos os dias, olhando na mesma direção.

Fim.

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